Tenho um profundo respeito e empatia por mulheres que não gostam de participar em movimentos de promoção das mulheres dentro da sociedade simplesmente porque elas acham que trazer o assunto do gênero para o centro da conversa apenas reforça o que se pretende combater, ou seja, a diferenciação injusta e preconceituosa baseada no gênero.
Esse argumento me parece muito válido, porém, precisamos fazer um esforço para ver o problema como um todo, um fenômeno amplo que se estende a toda a sociedade moderna e que tem suas raízes plantadas desde um passado muito distante. Ou seja, precisamos, para fazer uma análise o mais justa possível, transcender a nossa própria visão individual de mundo e tentar tocar outros aspectos relacionados que possivelmente não havíamos considerado inicialmente.
Talvez o principal contraponto aqui, seja o fato de que enquanto nos posicionamos como não querendo dar foco ao que não merece, ao mesmo tempo, muitos indivíduos estão agindo de modo a perpetuar o aspecto sombrio do desprezo e da segregação por questões de gênero.
É como se decidíssemos não pensar nos riscos do vício em drogas para os nossos filhos por apenas promover um ambiente familiar saudável.
Lembre-se, esse pensamento nobre não vai fazer o traficante que assedia jovens e crianças desaparecer como num passe de mágica.
Não pensar no mal, só elimina o mal na sua mente. Mas ele continua existindo no mundo real lá fora. Simples assim.
Tendo isso em mente, não lhe parece natural querer mobilizar pessoas para contrabalançar essas ações injustas?
Acredito que o mesmo princípio se aplique a tantos outros assuntos de natureza relacionada ao tema de Diversidade e Inclusão, tais como o racismo.
Resumindo...
Ok, reconheço que às vezes incomoda ceder holofote ao que queremos combater, tipo... Se a diferença não deveria ser importante, então por que ficamos falando tanto sobre ela?
A resposta talvez seja porque não chegamos ainda nesse estágio evoluído onde não precisaremos mais pensar no gênero ou na cor da pele como um assunto superado e que pertence ao passado. Até lá, é melhor reservar sim um certo holofote para expor nossos pontos fracos e em conjunto superarmos nossos pontos cegos ao que acontece mundo afora além da bolha de nossas experiências diretas.
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